sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Carta ao vento

Talvez quando anoitecer e a rua esvaziar, na hora em que o silêncio aterrorizador escolhe para torturar de lembranças vãs, mesmo as mentes mais sãs; quando a solidão vem para preencher as lacunas existentes do que é passado e daquilo que apesar de tão vivo, nunca existiu, você permita que o vento lhe diga num sopro, de uma só vez, as verdades que nunca poderei dizer encarando seus olhos.
Que mesmo com toda a decepção, seria incapaz de dizer que a dor não valeu a pena; que mesmo tendo sido breve os momentos de felicidade, vão ficar para sempre como os momentos mais bonitos; que ainda alento uma emoção ao pensar nas coisas que quase aconteceram e que fundindo toda a história em uma só palavra, seria paixão.
Todas as desgraças, as muitas desilusões, com toda a certeza, vão se perder na poeira do tempo, e o que vai restar é um retrato perfeito de algo que se foi, que perdido no passado, não vou querer entender o porquê que se findou. Guardo a você, como a todos que passaram pelo meu destino, uma recordação bonita, um sentimento, uma frase inacabada.
Aproveito para pedir ao vento que lhe diga para não se esquecer de mim, como eu tanto gostaria de poder me esquecer de você; que nunca se arrependa porque nossa hora já se foi, por fim, que a vida se encubra de desfazer a dor que carrego no peito que atribuem a ela o nome de saudade.