segunda-feira, 25 de março de 2013

Dossiê evangélico


A história às vezes toma caminhos que faz realmente muita graça, como um dia falou Cazuza : “Eu vejo o futuro refletir o passado , eu vejo um museu de grandes novidade o tempo não para.”  Martinho Luthero  fundou a sua igreja, que vulgarmente denominaram esse movimento como protestantismo, por ser contra a venda de indulgências da igreja católica e prática de acúmulo de bens pela mesma.
Hoje, existe um paradoxo quando analisamos algumas igrejas evangélicas (algumas, não estamos falando de todas as igrejas, os bons evangélicos irão compreender a nossa mensagem como uma defesa a verdadeira prática de uma igreja evangélica), nasceram para contestar o acúmulo de dinheiro e hoje infelizmente estamos revendo o conceito de que o caminho de céu é um caminho lucrativo para algumas pessoas.
Pastores que nunca frequentaram um curso de teologia, que muito mal tem a noção bíblica, fundam igrejas e usam da fé para benefício próprio. Nesse circo dos horrores se vende de tudo: cura da infidelidade, a cura de doenças, venda de sabonetes para atrair o amor, exorcismos entre outras práticas. E nossa legislação facilita esse tipo der ação, infelizmente.
O texto não faz discussão sobre dízimo, mesmo porque nada tem haver dízimo com charlatanismo e também porque as igrejas evangélicas seguem a bíblia e a bíblia diz ser o dízimo uma ação do fiel a essas igrejas, um dogma a ser seguido, essa discussão não nos compete.
Qualquer pessoa pode fundar uma igreja? Sim, podem, porém dentro de uma regulamentação, sendo elas: estatuto, devidamente registrado em cartório; Inscrição no Cadastro do CNPJ, conforme a Lei 4.503 de 30/11/64; Carimbo do CNPJ, conforme Decreto 61.514 de 12/10/67; Livro Caixa ou Diário/Razão, conforme determina o Regulamento do Imposto de Renda; Livro de Ata; Raiz Negativo, todas as igrejas, enumeradas no Decreto 76.900 de 13/12/75;  Declaração de Isenção, conforme determina o Decreto Federal nº 1.041; matrícula no INSS, após o registro do estatuto e da inscrição do CNPJ, a igreja deve providenciar sua matrícula no INSS; Ata de Eleição da Diretoria; Imposto Sindical Patronal, enfim,  manter a contabilidade. Todo esse processo para ser feito sai mais barato que uma empresa.
Igrejas evangélicas pagam impostos? A saber, as igrejas evangélicas são imunes à arrecadação de impostos sobre os dízimos e ofertas arrecadados, porém pagam encargos (água, luz, telefone, e se houver, vínculos empregatícios) como também são obrigadas a anualmente apresentar para a Receita Federal a DIPJ (Declaração de Informações Econômico-Fiscais da Pessoa Jurídica), o que queremos dizer, igreja evangélica não paga imposto de renda, porém tem que ter contabilidade organizada dentro dos tramites legais.
Agora o que essas igrejas fazem com o dinheiro arrecadado é que cabe a discussão, as igrejas podem usar de seu lucro para comprar, casas, carros, terras, bois, fazer investimentos, com isso beneficiar ao seu dono, ou pastor responsável, por isso cabe ao fiel, ficar de olhos abertos para onde está indo dinheiro de sua igreja.
Pastores são obrigados a estudar teologia para exercer o sacerdócio?Na verdade isso não ocorre em todas as denominações, muitos pastores tem como base o estudo bíblico feito com o passar dos anos, sua experiência e não algo formal dentro dos padrões cultos e básicos do estudo da teologia.

Sabemos é de escolha pessoal a religião de cada um, logo as pessoas que  praticam os dogmas destas instituições devem ser respeitadas, o que estamos refletindo são meios usados para conseguir dinheiro por muitos impostores em nome Deus, que usam da necessidade espiritual de muitas pessoas para se auto beneficiar, assim temos que cobrar mais rigor das leis, autoridades com o que se faz como dinheiro arrecadado do fiel para obra de uma igreja e não para o enriquecimento de uma pessoa. Nossa função aqui é alertar a legalidade dessas igrejas em suas fundações, como agir contra ao abuso da fé das pessoas e o que o cidadão deve fazer para se proteger deste tipo de prática. Fica aqui um protesto a todos que usam de charlatanismo e um pedido de socorro a nossa constituição para que possam ter leis mais rígidas a esses crápulas.

quinta-feira, 21 de março de 2013

E por onde anda o amor as causas perdidas?



É impossível ver as pessoas falarem do caso da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados, presidida pelo Pastor Feliciano e se conter em dar uma opinião, as pessoas estão falando, em sua maioria, o que não sabem. Compraram uma ideia pronta e ficam repassando para frente. A indignação das pessoas que leem e acompanham vai além do caso de homofobia, no qual ele responde a processo, este homem também responde ao crime de estelionato e racismo, e ainda há fanático que o defenda!
As coisas se inverteram, agora ele é um pobre coitado que sofre um discurso de ódio pelos gays... Não gente!!! Não é nada disso, ele sofre as consequências de usar da religião para falar o que bem quer e dividir o mundo entre certo e errado, por isso a revolta de muita gente. Ele disse que a AIDS é “o câncer dos gays”, por favor, todos nós sabemos que essa doença infelizmente atinge a todas as camadas sociais, a todos os grupos sociais e econômicos, e que ninguém sabe dizer com absoluta certeza a sua origem, podendo ser através da relação sexual de humanos com animais, ou da promiscuidade, ou até mesmo, numa das teorias da conspiração, um vírus criado por uma grande potência.
Um à parte, sobre o que ofende tanto a ele sobre os gays, quando se fala de união civil dos homossexuais, se fala baseado em um estado laico, ele ali na comissão faz o papel de um político e não de um pastor, ninguém quer obrigá-lo a casar homens ou mulheres na igreja dele, querem o direito perante o Estado de ter garantias sobre uma união estável, mediante os bens, heranças, etc; respeito a sua opção sexual, mesmo porque não é da conta de ninguém com quem um homossexual se relaciona, e acima de tudo, é papel do presidente desta comissão lutar para que homossexualidade não seja confundida com pedofilia.
Outra preciosidade que este homem disse foi que: “A maldição que Noé lança sobre seu neto, Canaã, respinga sobre o continente africano, daí a fome, pestes, doenças, guerras étnicas!”. Bem então neste caso, somos todos desgraçados, porque todos aqui no Brasil têm origens africanas no seu DNA, e só para lembrar, o “pastor” é tão estudado e bem preparado que falou asneira, se alguém aí tivesse uma maldição seriam os palestinos e não os africanos, porque eles são os descendentes de Canaã (faltou foi aula de teologia, ou será que ele nem estudou para ser pastor?).
As minorias étnicas sofrem até hoje à custa do processo histórico, afrodescendentes em sua maioria pobres, não são pobres porque querem, ou não trabalharam, mas porque muitos direitos lhe foram negados neste processo, no Brasil os negros não foram libertos, foram expulsos das fazendas, não adianta poetizar o horror que as pessoas que nos antecederam viveram, é fato, temos que tentar remediar.
Sobre o caso do estelionato, que ele agora responde na esfera federal, o honrado senhor simplesmente marcou dois shows no mesmo dia e hora, sendo um no Rio Grande do Sul e outro no Rio de Janeiro, entenda, não só marcou como recebeu adiantado pelos dois e não compareceu a um deles, bem SE inocentado, mostra que ele e sua equipe são irresponsáveis porque no nosso mundo é assim que chamamos um descaso deste com a própria agenda de compromissos.
Antes de defender temos que entender a história, esse homem conseguiu a presidência da CDH através de mais um dos ajustes políticos deste país, ele não é engajado em causa nenhuma além da própria. Vestir-se com a carapuça de homem de Deus é uma velha tática para angariar apoio popular devemos estar sempre de olho nestas pessoas porque apesar de longe são eles que dão rumo à sociedade, e o que mais o mundo precisa hoje é de paz, de tolerância, de respeito ao próximo.

domingo, 10 de março de 2013

Perdoar



Tragédias são anunciadas a todo minuto, às vezes nos falta saber ler o que cada acontecimento está nos mostrando. Daí vem à tormenta, como não estamos preparados para adversidade vem o desespero e com ele o ódio. Em muitas vezes é mais difícil aceitar os próprios erros, do que aceitar que por serem todos humanos também erramos daí só nos resta apedrejar o próximo do que entender que somos como ele, passíveis dos mesmos tropeços.
Quem tem muita sede de justiça às vezes esquece-se de um simples detalhe: a verdade. Prosear, poetizar não exime de todos o tostão, mesmo que pequeno, de culpabilidade. Porque se formos parar e refletir verá que as adversidades em muitos casos vêm sendo anunciadas em pequenas doses, nos incidentes do dia a dia.
Sim, os injustiçados também erram, erram em querer ser inocentes em demasia, por imparcialidade exagerada, erram quando são indiferentes as dicas que o destino está dando, em não fazer a leitura necessária de mundo, em colocar coisas fúteis no lugar necessário e não prezar o que de fato é primordial; por fim erram quando acham que o mundo é obrigado a aturar o seu desleixo.
O que de fato não perdoamos com a nossa vontade de vingança é no fundo o fato de termos sidos relapsos com nós mesmos. Que mesmo com toda dor que as situações causam aos nossos corações, possamos ser sábios o suficiente para entender que o erro é inerente ao ser humano, portanto somos todos passíveis de erro. Que possamos superar nossas mágoas e escutar o próximo, porque isso sim nos leva ao engrandecimento da alma, que nunca nos fuja da mente perdoar também é um propósito de Deus em nossas vidas. 

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

Redes Sociais: objeto de expressão, incitação e alienação.



O homem sempre teve a necessidade de se expressar (e de ser ouvido), isso há muitos milhões de anos, um exemplo é a pintura rupestre, quem embora não entendemos com clareza o que elas significam, elas trazem consigo alguma mensagem. Hoje, as ‘tribos’ se tornaram um pouquinho maior: as redes sociais.  Através dela o homem tem feito uma extensão do eu e criando paralelos e paradoxos à sua vida cotidiana.
As redes sociais abrangem muito mais que seu papel de comunicação (sendo ela feita de forma pessoal ou profissional), agora ela toma forma de instrumento de incitação social. Dependendo de quem escreve, e não da verdade do que está sendo dito, no caso postado, ocorre uma chuva de ‘curtidas’, em sua grande maioria sem o menor discernimento do que realmente foi dito, muitos ensaiam comentários, como uma busca de um lugar ao sol. Apenas reforçando a ideia lançada, mas sem muito pensar, e muito menos criticar, no que realmente está concordando.
Usa muito bem as redes sociais os preparados para lidar superficialmente com o público, falou ‘curtiu’, assunto encerrado; vivemos a era do instantâneo:  lança-se um texto, sem muita argumentação, porém fixando bem seus limites, com suas palavras chaves bem expostas. Resultado: Sucesso! (uma enxurrada de aplausos virtuais ao nada dito, mesmo porque a plateia, em sua maioria, não se esforça para mais profundos entendimentos).
Assim os posts tornam-se não questionamento, mas apenas um norte para como pensar, fazendo de uma ideia arma de incitação nas mãos alheias, quem ousa questionar ou até mesmo repensar, torna-se figura personificada de rebeldia, curiosidade, cobrança ou mesmo (in) tolerância. Arma poderosa de quem gosta da relação de poder, pois, na maioria de seus entusiastas, digo seguidores, há apoio para qualquer verdade absoluta.
Num mundo aonde as pessoas, na sua maioria, querem de todo jeito, atribuir sua realidade a símbolos, e não a experiências, nada melhor do que ter ‘mentores’ para o pensar, sem o menor questionamento,  minha função torna-se agora: curtir e compartilhar e quando muito, comentar. E lá se vai mais uma grande ideia de expressão se tornando reprodutor de pensamentos já prontos, lá se vai novas ideias, novos questionamentos e velhos modos de alienar, digo, pensar, mais uma vez deixamos que outros tomem conta de nossas opiniões...