sexta-feira, 5 de junho de 2015

Uma dor sem nome










Nos acostumamos a dar 'títulos' aos acontecimentos do cotidiano. Principalmente aos extremos: na dor e na alegria. Mas será mesmo que todas essas situações tem nome?
Vamos começar com alguém que subiu na vida, o chamamos de sortudo, bem sucedido; mas se ele perde o que era dele é um fracassado, perdedor.

Por exemplo, alguém quando se une ao outro, a essa alegria chamamos de casados; da mesma maneira quando há um desventura e o casal se separa, atribuímos a essa dor o nome de divórcio, separação, enfim ... E quando um dos dois perde o seu par, chamamos essa dor de viuvez.
E quando chega ao mundo uma criança? Essa alegria chamamos de recém nascido, damos um bem vindo, quando esse filho perde um dos pais chamamos essa tristeza de órfão.
Porém há uma dor que não tem nome, de tão forte não conseguimos assimilar e muito menos dar nomenclatura. Essa tristeza é quando um pai perde um filho, é tanta dor que tentamos explicar com sentimentos avulsos, mas não conseguiremos nunca delimitar, falamos em desespero, tragédia, desgraça, solidão... Nome próprio não existe, e essa dor mesmo sem nome, consome muito mais que as outras, porque ela é transgressora, ela desobedece as leis da natureza, uma ferida que não fecha, um olhar na estrada a espera de quem nunca vai voltar

sexta-feira, 1 de maio de 2015

O Medo



O tempo, a vida e o vento são irmãos, um se parece tanto com os outros que no fim das contas acabamos por confundir o que realmente está em nosso poder. O maior erro que se comete é acreditar que  a vida é como tempo que segue uma linha reta, que como o vento vai varrendo tudo o que se tem no caminho, mas até o vento faz a curva, como querer que a vida também não tome novos rumos, dê suas guinadas hora ou outra fazendo novos tempos?



A gente se acomoda em ver o tempo passar, nos tornamos meros espectadores da própria vida, torcendo para que o destino mude a força do vento e nos leve para um lugar diferente, mas que nesse processo mude o tempo e que o presente se esvaneça. Quando no fundo somos nós que não cabemos  no mundo, em consequência também não sabemos guardar o mundo dentro de nós.
O incômodo nessas horas parece ser por fatores externos, mas nossa alma grita como se quisesse avisar que está dentro de nós essa aflição. O tempo é elástico, curto e infindável na mesma proporção.  O vento é indulgente, um moleque que não guarda pequenos desaforos, corre solto pelo grande campo que é a vida da gente.


Tomamo-nos por pequenos devaneios, atribuímos a esse querer o posto de sonho e assim amarramos um todo em algo que parece já pré-estabelecido, dando a essa falta de garra o nome de destino. Uma verdade é certa, difícil de encarar: Os ventos estão sempre a mudar a direção, talvez a vida não nos permita ir com o vento, mudar e refazer novos tempos, o único gigante existente então é o nosso medo.

domingo, 1 de março de 2015

Lágrima



A lágrima é a coisa mais linda que o ser humano tem, alguns dizem ser produto da alma, e deve ser mesmo. Nada mais bonito que materializar algo tão subjetivo quanto um sentimento. Ingenuidade é pensar que essa dádiva deve ser ofertada a todos. Demora-se, mas um dia se aprende que o chorar é se entregar de corpo e alma, tudo junto no mesmo momento, e não é qualquer um que merece receber.
Já o sorriso é para todos, escudo de qualquer fantasma, qualquer mal, abre portas a qualquer lugar, o contrário da lágrima que no fundo é um convite para que o outro conheça sua alma, nem todos estão preparados a entrar numa casa em que alguns cômodos não estão devidamente arrumados. Nem todas as visitas irão entender que aquilo não é propriamente uma bagunça, mas digamos que seja o caos, um entulhado de sensações que deixamos sempre para outra hora para resolver.
Ser humano não significa se abrir a todos, isso é se expor, o ser humano as vezes entende a fragilidade como uma forma de aprisionamento e motivo o suficiente de punição. Hoje, seja bom ou ruim, quando me vem aquela lágrima aos olhos a seguro, ela é muito minha para presentear ou encorajar a qualquer pessoa.


Lágrimas suspensas evitam que as pessoas acrueditem no seu potencial de dar a volta por cima, minhas lágrimas hoje são apenas dos meus, nem dos meus problemas mais são, apenas das pessoas que eu sei, fariam, fazem e farão o mesmo por mim, apenas os meus merecem esse presente da alma, que só quem é cúmplice sabe receber.