sexta-feira, 1 de maio de 2015

O Medo



O tempo, a vida e o vento são irmãos, um se parece tanto com os outros que no fim das contas acabamos por confundir o que realmente está em nosso poder. O maior erro que se comete é acreditar que  a vida é como tempo que segue uma linha reta, que como o vento vai varrendo tudo o que se tem no caminho, mas até o vento faz a curva, como querer que a vida também não tome novos rumos, dê suas guinadas hora ou outra fazendo novos tempos?



A gente se acomoda em ver o tempo passar, nos tornamos meros espectadores da própria vida, torcendo para que o destino mude a força do vento e nos leve para um lugar diferente, mas que nesse processo mude o tempo e que o presente se esvaneça. Quando no fundo somos nós que não cabemos  no mundo, em consequência também não sabemos guardar o mundo dentro de nós.
O incômodo nessas horas parece ser por fatores externos, mas nossa alma grita como se quisesse avisar que está dentro de nós essa aflição. O tempo é elástico, curto e infindável na mesma proporção.  O vento é indulgente, um moleque que não guarda pequenos desaforos, corre solto pelo grande campo que é a vida da gente.


Tomamo-nos por pequenos devaneios, atribuímos a esse querer o posto de sonho e assim amarramos um todo em algo que parece já pré-estabelecido, dando a essa falta de garra o nome de destino. Uma verdade é certa, difícil de encarar: Os ventos estão sempre a mudar a direção, talvez a vida não nos permita ir com o vento, mudar e refazer novos tempos, o único gigante existente então é o nosso medo.