O tempo, a vida e o vento são
irmãos, um se parece tanto com os outros que no fim das contas acabamos por
confundir o que realmente está em nosso poder. O maior erro que se comete é
acreditar que a vida é como tempo que segue
uma linha reta, que como o vento vai varrendo tudo o que se tem no caminho, mas
até o vento faz a curva, como querer que a vida também não tome novos rumos, dê
suas guinadas hora ou outra fazendo novos tempos?
A gente se acomoda em ver o tempo
passar, nos tornamos meros espectadores da própria vida, torcendo para que o
destino mude a força do vento e nos leve para um lugar diferente, mas que nesse
processo mude o tempo e que o presente se esvaneça. Quando no fundo somos nós
que não cabemos no mundo, em
consequência também não sabemos guardar o mundo dentro de nós.
O incômodo nessas horas parece
ser por fatores externos, mas nossa alma grita como se quisesse avisar que está
dentro de nós essa aflição. O tempo é elástico, curto e infindável na mesma
proporção. O vento é indulgente, um
moleque que não guarda pequenos desaforos, corre solto pelo grande campo que é
a vida da gente.
Tomamo-nos por pequenos
devaneios, atribuímos a esse querer o posto de sonho e assim amarramos um todo
em algo que parece já pré-estabelecido, dando a essa falta de garra o nome de
destino. Uma verdade é certa, difícil de encarar: Os ventos estão sempre a mudar
a direção, talvez a vida não nos permita ir com o vento, mudar e refazer novos
tempos, o único gigante existente então é o nosso medo.
