Hoje, meio sem querer, me enganando quando na verdade queria relembrar, encontrei algo que já havia sumido há um tempo. Minha preciosidade era algo que só tem valor em conjunto a outra, talvez aquele objeto me lembrasse o amor.
Olhando aquele objeto sozinho, compreendi que muitas vezes o amor também vem só, um somente ama, um somente se esforça, enquanto o outro na verdade apenas quer...
Em caso de amor, querer é muito pouco, só a necessidade às vezes dói, mostra frieza nos olhos quando na verdade o que se busca é paixão. Ninguém vive só, mas amar por amar não faz bem a quem alimenta tanta esperança.
Não é que falte amor, nem necessariamente transborde paixão, mas para tudo se faz morno a quem não ama, os dias e as horas são tomados como passatempo, qualquer atitude no fundo não tem a menor razão de ser.
Tentar entender o porquê estar junto faz revelar feridas que nunca foram cicatrizadas, marcas que com o tempo expõe o inatingível. Pena que ninguém se consiga fazer ser amado, mostrar ao outro que é a pessoa certa.
Nessa relação de via de mão única o que dói não é apenas a indiferença, o tempo perdido, os sonhos despedaçados ou o recalque, mas a certeza de enxergar sem amarguras que tudo terá seu fim e futuramente apenas um retrato.
