Hoje, depois de uma noite muito mal dormida, acordei muito cedo, muito mal humorada, azeda mesmo com a vida, quando saí da minha clausura vi um filhote minúsculo de passarinho caído no chão. Depois de um temporal o ninho dele desabou, e mesmo da altura em que ele caiu, e eu o encontrei vivo no chão, machucado, mas vivo.
Fiquei me perguntando como ele poderia ter sobrevivido àquela queda, como nenhum outro animal pode ter comido aquele bicho, como nada mais poderia ter acontecido com ele em situações tão desprotegidas.
Confesso que tive muito nojo em pegar aquele bichinho e cuidar dele, mas mesmo assim resolvi cuidar dele, por um instante me vi naquele bicho, acreditei que como ele eu poderia sim cair da altura que fosse e que acharia alguém no fim das contas para cuidar de mim.Tolice a minha, refletindo bem, ele quis sobreviver, passou uma noite inteira no frio e na chuva, mesmo depois da queda, esperando que a vida voltasse a lhe dar uma chance, porque antes de tudo ele queria viver eu ao contrário esperava apenas alguém para cuidar de mim.
Que ironia do destino, afinal quem era o ser pensante da situação? Ele é claro... Ninguém pode ser encontrado por alguém se na verdade não se encontra a força dele em sobreviver é que me fez entender o quão importante era à vida dele e isso que me obrigou a cuidar dele, só meu egoísmo patético não conseguia ir além dos meus problemas. A mesma coisa somos nós, só encontraremos pouso e paz no dia em que realmente quisermos sobreviver as grandes tempestades.