sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016

Crônica de amor a Mimoso


    O mimosense é um ser único, de perspetivas e modos peculiares ; é quase um estado de espírito, impossível não passar por Mimoso e não se lembrar dessa cidade com imenso carinho.
     A nostalgia é a cachaça deste jeito de ser, embebeda e faz qualquer visitante se sentir presente em toda e qualquer história relatada.


     Está no dia-a-dia a nossa verdadeira riqueza, essa cidade é um enredo de Jorge Amado, para sempre em construção, temos tramas e personagens exclusivos, num cenário pitoresco.
     O cidadão mimosense ostenta seus apelidos, seja de infância ou não,  mais que uma mera referência, como parte indissociável de sua personalidade.
     E o fascínio que só o mimosense emana? Só o mimosense tem o poder de conhecer alguém, num único dia, por poucas horas, e fazer com que aquela pessoa carregue consigo por anos o que lhe foi confidenciado. Um dia, num reencontro o amigo se vê forçado a reelembrar aquele então dilema vivido pelo mimosense, hoje para ele argumento de aventura.
     Ao mesmo tempo, não temos visitas de cunho próprio, todo visitase torna "nosso" , todos querem oferecer e desfrutar deste momento. E dali churrasco na casa de um, moqueca no sítio do outro, viola no bar desejado. Assim, o mimosense faz de seus visitantes, celebridades.
      Podemos estar em qualquer parte do mundo, nossas memórias ainda permeiam aquele lugar maravilhoso, nosso vale. Ser mimosense não é somente nascer nesta cidade, mas trazer no peito um emaranhado do que chamamos 'conversa barbante', histórias riquíssimas que compõe nosso vasto folclore.
     Nos tornamos filhos desta terra sem ao menos querer, porque quando nos damos conta adotamos este coração tão interiorano, que uma vez experimentado, jamais conseguiremos outra vez este coração de criança 'arteira'.
     E não deixando passar sem parafrasear nosso amor por essa terra: Salve o nosso tão singular Mimoso do Sul, cidade tão mimosa mulher, que só como ela, se torna eterno amor de quem aqui vier.

sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

Mágoa, o gosto amargo da vida

Mágoa






   Experimente fechar os olhos, sem pensar em como se escreve, diga alto a palavra mágoa. Percebeu? Acabamos falando mágua.O que logo nos remete a duas palavras, que começam a fazer sentido: má água.
 Talvez por isso se explique a palavra mágoa ser associada a dissabor ou desgosto.
  O fato é que esse sentimento nem sempre é passageiro, querendo ou não. Sim, faz muito mal, perder o gosto de certas coisas, chegar a desacreditar, é frustrante. Não é fácil querer sentir o sabor da vida e não conseguir, porque ainda temos pendência de culpa e vitimização com um passado, que já está feito, não se pode mudar. E que se fosse revivido, perceberemos que cada qual toma sua personagem como mártir e as cenas irão se repetir e novas má águas voltarão a ser servidas, em detrimento do "me aceite como eu sou, este é meu jeito de ser" .
  Fato é que má água só existe dentro de uma relação, logo envolve mais de um ser, mais de uma maneira de enxergar o mundo.Qual seria a nossa parte de  culpa quando convivemos com a mágoa ?  Ela ter entrado em nossas vidas ou seguir nos magoando com a situaçao a qual  um dia alguém não fez o juízo de valor a que lhe devia, e sem pensar, ofereceu a quem não merecia água tão amarga. Por mais que façamos o esforço de engolir, ainda conviveremos com aquele gosto amargo por um tempo, tempo esse relativo, porque em cada trajetória vai depender do quando conseguiremos ou não adoçar novamente nosso paladar.
  De tudo, a mágoa , por amarga que seja, nos tem uma grande valia. É com ela que aprendemos que não somos de aço, que nem sempre o amanhã será como o presente dia, mas os tropeços, as dores, pode nos dá a aprendizagem para toda uma vida. Ao ser magoado aprendemos na pele o que não ser, o que não fazer. De todas as mágoas a eterna promessa de não ser o que nos foi para nós um dia.