domingo, 25 de maio de 2008

Vontades e domínio


Quantas vezes no auge de nosso autoritarismo egocêntrico, motivados por uma vontade qualquer de fazer algo gritamos: A vida é minha! Ai vem à pergunta, será que é mesmo? Se fosse nossa mesmo deveríamos fazer da vida o que bem quiséssemos. Mas deve-se questionar muito bem a si próprio antes de se afirmar que somos donos de alguma coisa: Depende da própria vontade para que as coisas se realizem?
Sem querer mudar a doce ignorância de quem realmente acredita ser dono de seu próprio destino, mas façamos aqui uma analogia... A vida às vezes, pra não dizer sempre, parece um trem desgovernado, aonde nós somos hora o maquinista desesperado tentando ajustar máquina na direção esperada e horas, somos os passageiros que mal tomam consciência do que está acontecendo.
Sem pessimismos baratos, mas se pararmos pra pensar o que podemos afirmar como sendo nosso mesmo são as nossas metas, nossos objetivos, porque estes sim dependem de nossas vontades, aliás, a vontade também não é consciente, mas o que fazemos com ela é do nosso domínio. Nem sempre querer é poder, mas sempre querer é primeiro passo de fazer por onde conquistar, realizar algo.
A vontade nunca será fator determinante para que as coisas aconteçam, porque ela é apenas o começo de uma trajetória, não confundir vontade com domínio já seria pra todos nós um adianto de vida. Se pensássemos sempre assim canalizaríamos nossas energias e força para o que realmente interessa: o fazer. Então antes de dizer que algo é nosso, seja um sonho, uma meta, um destino, seja lá o que for façamos o que seria mais racional: lutar para que a nossa vontade trabalhe a nosso favor.

quarta-feira, 21 de maio de 2008

Ser Feliz


Faz tempo que desisti de me apegar a grandes feitos, depois de muitos tombos percebi que são pequenas coisas na vida que nos fazem ter ânimo para sobreviver... Uma chuva que está prestes a chegar, um novo dia que não demora a amanhecer.
Vagar por este mundo pode ser visto como uma sentença ou uma dádiva. Buscarmos um sentido para acordar novamente é obrigação de todos, mas também pode ser um prazer. Podemos andar sozinhos ou deixar que os outros nos acompanhe, porém temos que ser conscientes de que ao final que o que tanto procuramos é muito próprio.
O objetivo de tudo o que buscamos é muito singular, porque na verdade o que realmente queremos não pode ser descoberto, por não estar em ninguém e nem em lugar algum, podemos perceber que o que passamos a vida toda procurando na verdade estávamos construindo.
Nossas escolhas, nossa maneira de nos colocar diante do mundo, entre tantas coisas, faz com que tomemos rumos em nossas vidas, portanto cada um só pode fazer o seu. Por mais que outras pessoas possam ter vivido situações parecidas com as nossas, não serão iguais os caminhos, porque cada um faz o seu a partir do que sente, vive, pensa, deseja e vê.
É nessa construção do que sou, do que quero, do que posso é que se acha o grande sentindo de tudo: devo ser o que quero ou o que esperam de mim?
De tudo que vivemos podemos escolher, enfrentamos tudo como dádiva e aprendizado ou sentença e punição. E o que fica de tudo é a grande decisão: assumo os riscos e os erros e sou feliz ou crio metas e moldes para depois que cumprir o plano ser feliz?
Aviso aos navegantes... Ser feliz é pra mim deve ser com o que eu tenho hoje, é a partir de agora!

segunda-feira, 12 de maio de 2008

Oração


Que meu desejo seja de acordo e também do tamanho de minhas possibilidades
Que minhas possibilidades me satisfaçam e que isso me dê animo para buscar as minhas metas.
Que minhas metas sejam equivalentes a capacidades que eu tenho de lutar.
Que minhas lutas não sejam travadas comigo mesma, nem sejam em vão assim como os meus sonhos.
Que meus sonhos sejam modestos o bastante a ponto de se tornarem reais.
Que minhas realizações me façam enxergar o que eu sou, quem eu sou, que do meu pouco eu faça tesouro.
Que eu faça o melhor com as possibilidades que me aparecerem e que eu tenha sempre a consciência de que me é ofertado muito mais do que preciso.
Que a minha satisfação esteja no presente, que me traga paz e alegria e que isto tudo me siga pela vida.

sexta-feira, 9 de maio de 2008

A Busca


O correr das horas, o passar do tempo, me olho no espelho e já não me enxergo mais, o que vejo é uma imagem cansada e fria de alguém que há muito tempo não visito, uma foto que insiste em se mexer na moldura.
Com os anos vejo que me perdi de mim mesma, já não consigo distinguir o que é passado, vitória, alegria e frustração, me pergunto que planos fiz, o que realmente eu consegui e a que distancia estou de mim.
Na busca de me entender acabo perdoando os meus pecados, esvaziando minha alma para que me absolva a consciência de culpas que talvez nem eu mesma saiba explicar qual seria a minha parte do erro.
Perguntas, reflexões e devaneios me cansam de mim mesma e me afasta de tudo o que eu ainda realmente preciso: minha sanidade, minha fé e minha vontade de lutar pelo que ainda desconheço.
Assim, compreendo que o relógio não para, os anos me pesa e soluções me apressam que não posso ficar presa a um momento porque a cada manhã existe um desafio, talvez seja o mesmo que me persiga por todo este tempo.
Minha luta já não é mais a de vencer, mas a de conseguir cair em pé, num tombo que já se faz inevitável. Nessa dança aonde a música já parou de tocar faz tempo, desfaço meu choro e me consolo com um sorriso porque o amanhã já está próximo.
Presente, passado e futuro se confundem com a imagem que eu mesma criei pra mim; esperança e solidão já não têm o mesmo sentido de outrora, o que antes eu tinha medo, hoje me consola.
Mesmo sendo uma caminhada sem rumo, sigo adiante, talvez por não ter opções, assim me desfaço a cada momento do que sou para trilhar por um caminho que não é meu, que me faz sentir perdida a todo o momento e para um objetivo no qual desconheço.

quarta-feira, 7 de maio de 2008

Enganos e Erros


É fato que existe uma diferença tamanha entre errar e se enganar, todos deveriam ter em mente o significado do que é o erro e o engano. Errar pode sim, ser sem querer, mas sempre prejudicará alguém. O fato de se enganar não... Podemos nos enganar sem que com isso prejudiquemos uns aos outros.Ao nos enganarmos nos fazemos vitimas e algozes de nossos próprios sonhos, nossa crença é tão grande, que não conseguimos enxergar o que pra todos é tão óbvio: que o nosso desejo não passa de ilusão.

O que intriga é o fato de que os erros são sempre aceitos e perdoados, os enganos não, são julgados e minuciosamente analisados, de forma nenhuma aceitos, como se a pessoa que se engana deva receber uma punição por ter se iludido.

O mundo adora dizer que “errar é o humano”, talvez seja uma boa justificativa para perdoar os erros alheios, mas os enganos, não fazem parte das facetas do ser humano? Será possível que possamos passar pela vida sem nunca nos enganar?

Errar vem do egoísmo, se enganar vem de sonhar demais, todas as duas situações, apesar de totalmente diferentes, podem ser explicadas pelo fato de que todos têm anseios, sonhos, desejos, vontades, vaidades, enfim, vem do fato maior: estamos vivos e viver é um luta diária pelo aquilo que nos satisfaz.

terça-feira, 6 de maio de 2008

Força




Com a crença de que seria forte tendo sempre o que falar nas horas de tristeza, ter sempre uma atitude ou solução diante de um momento difícil que um dia me descobri muda e apática diante de um momento de incerteza. O desespero me alcançou e do pouco ou do muito que eu tinha nada ficou, então, deixei pelo caminho sonhos e metas que não entendia, mas na verdade eu os carregava como fardo.
Neste momento em que as palavras se calam, os pensamentos se perdem que me descobri realmente fiel a mim mesma, assim me vi forte porque percebi que é em meus tombos que me fortaleço, num instante em que o chão sai dos meus pés é que realmente me vejo: sem máscaras, sem artifícios, sem proteção, apenas alguém que por muito tempo se cala dentro de mim.
Morro em mim para poder renascer melhor, me fecho em meus pensamentos para poder ter sonhos maiores, enxergo e vou ao fim de tudo para ter a possibilidade de um recomeço. E foi largando tudo para trás que vi um novo horizonte em meus olhos.
O que antes era viável, concreto e maduro vejo agora como surreal, desfaço do meu caminho ingênuo para um caminho novo, talvez ainda errôneo, mas errar, acertar, perder e mudar faz parte da minha trajetória. Apenas agora posso entender que o que vivo me fortalece que deixar pelo caminho o que tanto me fará falta me faz crescer.
Não me perdi apenas as circunstâncias me fizeram enxergar por ângulos antes não explorados, com a tristeza ergue-se um novo mundo diante de mim, me sinto forte porque de tudo não me afastei de mim mesma e isso é agora o que me vale para me sentir forte.

segunda-feira, 5 de maio de 2008

A Mania de Ser Feliz


Sinceramente, eu já nem me lembro quando, mas um dia eu encasquetei que não poderia ser feliz, sensação de impotência, incapacidade de tudo, medo de que o que se pensava naquele momento se tornasse realidade.
E enfim a infelicidade veio, digo infelicidade porque a tristeza eu nunca permiti que chegasse perto de mim, podia sim estar infeliz, mas triste jamais, em certos casos é melhor a ausência de algo do que a presença de outro.
A vida desse jeito fica sem expectativa, as cores perdem seu tom, o som perde seu cheiro, o aroma perde sua beleza, enxergar já não significa nada, anda-se por aí sem o menor rumo e a todo instante pedindo esmolas de atenção.
E é como o amanhecer que esse medo se vai, na verdade eu realmente não posso ser feliz, somente agora eu posso perceber isso, eu tenho que ser feliz, felicidade é meu maior desaforo, maior realização que oferto a mim mesma, já não é mais só uma vontade, é uma doce mania de tentar, tentar, sem desistir nunca, afinal é nessa busca que se descobre o que é felicidade.

domingo, 4 de maio de 2008

O que sobrou do céu


Nossa alma voa com os sonhos, alçamos lugares nunca visitados, desvendamos facetas em nós mesmos que nunca pudemos perceber na normalidade, fazemos de pequenas conquistas grandes refúgios de realizações, tudo se faz tão maravilhoso que nos tornamos capazes de entender o outro.
Num sonho não realizado, nos frustramos, nos culpamos, nos punimos, ficam tantos “porquês” e “como” vagando em nossa solidão que nem damos conta de que o tempo de sonho foi enriquecedor.
A capacidade de desejar, nos torna: grandes, capazes, felizes; mesmo que nada se realize naquele momento de desejo nos sentimos completos pela simples possibilidade do sonho um dia vir a acontecer. Essa sensação inebriante nos enriquece a alma, muitos são os que não entendem essa sensação por não permitir se enganar.
Quando tudo dá errado nos condenamos ao “nunca mais”, fugimos tanto do que nos aparenta ilusão que não percebemos que sem sonhos não somos ninguém, que o ser humano querendo ou não necessita de vôos.
Sim, sonhar por muitas vezes é um risco, mas mesmo perdendo ou até mesmo ganhando, realizando ou não o que foi desejado, faz muito bem viver e querer ir além do que o cotidiano pode nos oferecer, porque assim não estagnamos na monotonia que é uma armadilha chamada rotina.
Sonhar nos faz enxergar por outras óticas, nos faz pensar no como seria bom ter/ser o que não somos e nem temos, porém devemos ser sempre vigilantes ao fato de que sonhar e realizar são coisas completamente diferentes, palavras que se completam, porém antagônicas em si mesmas.
Assim, descobrimos que a rotina nos faz travar uma luta conta nós mesmos, lutamos para sobreviver, mas queremos muito mais que isso. Brigamos com a nossa necessidade de produzir, mas desejamos sempre um tempo a mais para pensar.
Além de tudo é preciso sempre esvaziar a alma da dor, da tristeza, da frustração, do desejo... Enfim, saber buscar sempre, recomeçar de novo; por fim o segredo seria que num sonho frustrado há de se ter sempre a esperança de que este foi apenas um rascunho e que no próximo sonho poderemos ir mais além.