sexta-feira, 26 de setembro de 2008

Recalque


Tenho muitos motivos para não querer te ver nunca mais, mas de todos eles nenhum me convencem de que passou, aliás nunca existiu. Me irrita pensar em você, me custa perder mais um segundo com alguém que eu sei, e só eu sei, nunca significou nada para mim, faz parte do nosso pacto isso.
O que eu mais odeio em você é exatamente não te esquecer, tenho medo de te querer, embora não te queira. Não te tenho, melhor assim, porque também não te perco.Vai passar, você é apenas uma impressão que ficou em mim, um capricho, por isso tenho sempre o que falar para te ofender.
Talvez o que realmente queria era te prender a mim, para te esnobar, quem sabe assim você também sinta o que é meu, ainda bem que você não vem, porque com certeza perderia a coragem... O que posso te dizer? Somente que nada disso me envaidece.

terça-feira, 26 de agosto de 2008

Pares e ímpares


Já parou para pensar o quanto somos diferentes um dos outros? Uns baixos, outros altos, uns belos, outros com as formas nem tão harmoniosas assim... Quantas formas de personalidades, tanta gente para se compreender! Tanta história vivida, milhões de experiências a ser lembradas!
Para muitos algumas etapas não chegam, mas o fato é que, na vida sempre se espera aplicar essa regra: nascer, crescer, reproduzir, envelhecer e morrer. Quantos dilemas nos assombram pela vida a fora... Quando crianças, apegamos as brincadeiras; adolescentes, queremos resolver o mundo... Quando maduros, desistimos de tudo isso. Seríamos então todos iguais?
Nem uma coisa , nem outra, tudo se tornam relativo... Posso sim, ter uma história parecida com a do outro, mas não sou ele, não posso querer entender as coisas por ele, nem querer que o mesmo tome as minhas atitudes como forma de solução. Da mesma forma, posso não ter nada haver com o outro e mesmo assim tentar entender a forma como ele enxerga a vida.
A todos existe dois prismas, um que compreende e outro que acusa, sem sombras de dúvidas vejo que todos nós temos duas interpretações: defeitos e qualidades, porém todas vindas de um só aspecto: a característica. O que faz ser qualidade ou defeito é o prisma que usamos para enxergar o outro.
Por fim, somos em partes diferentes e em partes bem parecidos. Posso ter a minha opinião, minha experiência, mas inevitavelmente tenho que respeitar a sua, por muitos motivos, mas o principal é a consciência de que acima de tudo na vida não sou nada de mais, mas sem perceber posso ser igual a você.

quinta-feira, 21 de agosto de 2008

Não se esqueça de mim


Pode parecer estranho alguém que passa o tempo a entender e querer fazer com que os outros a entendam, pode até soar falso alguém que no fim das contas diga: Eu compreendo. Com certeza esse compreendo, deveria soar como um: Eu existo.
Enganar a si mesmo é um dos piores pecados que um ser humano pode cometer, esquecer de si para fazer das outras pessoas melhores, nem sempre satisfaz, mas consola ao fato de que cada um trilha seu próprio caminho.
Sempre existirão pessoas que abdicaram do fato de ser para o ato de fazer, viver para o outro nem sempre é tão fácil quanto de principio se parecia, mas sempre será inevitável quem os faça.
Afinal, o que seria do mundo sem pessoas dedicadas pura e simplesmente ao outro, as coisas se tornam melhores, porém nem um pouco mais facilitadas, quando temos alguém que nos empurra adiante.
Criar e ter parâmetros são fáceis, no entanto, ser o parâmetro de alguém não é a tarefa mais fácil, requer muita dedicação ao outro, há de se concordar que para isso tem de haver muito amor próprio para não se perder no meio do caminho.
Faz-se inevitável que na vida tomemos horas o papel de ser modelo de alguém e horas de ter alguém como parâmetro, todos nós precisamos disso, todos nós exercemos os dois papéis na vida. As duas faces da moeda são vitais a nossa crença de que estamos fazendo o melhor para o mundo, de que ao ser notado estamos vivos.
Quem dera os deuses e os anjos soprassem aos nossos ouvidos que palavras doces ditas em horas amargas não signifiquem apenas eu amo você, mas na verdade um grito de quem fala, faz, busca, acredita no outro, querendo dizer, o que no fundo não sai, mas o coração sabe, um bom e sonoro: Não se esqueça de mim.

terça-feira, 19 de agosto de 2008

Semente da esperança: a arma de um novo mundo


Vivemos num mundo em que a cada dia nos deparamos com uma nova realidade cada vez mais violenta e triste, com isso estamos cada vez mais desesperados e com menos credibilidade nas pessoas e no futuro. Com o sistema educacional essa situação não se faz diferente.
É na escola aonde tudo recomeça: a sistematização de idéias de conceitos, de convívio. Através da educação conseguimos explorar, questionar e expressar tudo que já tínhamos aprendido em casa. E é através da educação que conseguimos mudar nossa atitude diante do mundo.
Nós futuros pedagogos devemos acreditar que assim como um ilusionista que usa de seus truques de mágica para tirar o coelho da cartola, assim deve ser o professor que deve usar de seus conhecimentos para cultivar sonhos em seus alunos. Plantando a semente da esperança para que todos possam crer em dias mais felizes, tempos mais justos, seres humanos melhores.
Pois, se não for este o sentido e a função da educação, qual seria então? O conhecimento deve ter o poder de acrescentar, unir e libertar para que todos os homens possam através do acesso ao saber ter a oportunidade de se conscientizar e mudar sua realidade e a oportunidade de se fazer melhor como cidadão.

sexta-feira, 8 de agosto de 2008

Por uma chance a mais


A vida é como um barbante cheio de nós. Os nós da vida nos fortalecem cada vez que passamos por mais um deles, mesmo quem não queria, acaba se tornando maior e melhor a cada obstáculo deixado para trás, a cada nó desfeito; são tantos os embaraços que a vida nos causa, que às vezes esquecemos de contá-los.
Sempre existe um jeito de ultrapassá-los, uma hora ganhamos a batalha, outra apenas os conflitos são desfeitos como nós, de uma forma ou de outra, o impossível acontece e o que mais nos incomoda em um momento é deixado para trás.
Sendo justa ou não recebemos a lição que há muito nos foi endereçada, sem que, no entanto, isso seja um castigo, com tempo percebemos que é apenas um ponto a mais de sabedoria que adquirimos ao longo da vida, são apenas mistérios, incômodos, lutas, que desfizemos no correr dos anos.
Depois de muitos anos se torna fantástico o ato de lembrar o que por muito tempo se quis esquecer, assim percebe-se que nos tornou saudosista o tempo. Brigamos tanto para esquecer um erro que um dia nos deparamos com o mesmo num momento de saudade, cheios de esperança porque estamos vivos e desta vez temos a chance de acertar. O melhor de tudo é entender que isto faz parte da vida, que só pode errar e acertar quem está vivo, que enquanto temos fôlego temos vida e enquanto vivemos cada minuto significa que estamos ainda na luta de uma chance a mais.

quinta-feira, 31 de julho de 2008

Questão de opinião


É incrível como são poucas as pessoas que compreendem de fato o que é ter uma opinião, muitos acham que para se ter uma opinião é necessária esbravejar e divulgar o que em muitos casos nem se pensa, prova disso vem com o tempo, os interesses mudam, e a opinião também.

Raros são aqueles que mantêm suas idéias com o passar dos anos, talvez porque estejam muito certos sobre aquilo que pensam ou porque fazem da opinião um direcionamento para vida em constante adaptação de uma realidade, pessoas assim não gritam, não batem no peito por motivo algum, muito menos levantam bandeira de nada.

Seriam estes os covardes, aqueles que não têm opinião alguma? Não... Estes são os que verdadeiramente conhecem e tem certeza daquilo que pensam, porque sabem o quão decisiva é uma palavra, por isso sempre ponderam o que falam e o que fazem, porque antes de ter uma opinião sabem que atrás de qualquer coisa deve haver uma conduta condizente.

quarta-feira, 30 de julho de 2008

Verdade




O triste quando se permite viver a verdade dos outros ou só a sua verdade é encarar o fato de que nem sempre as verdades virão à tona, que quase sempre o “final feliz”, não era o esperado. Todo mundo adora dizer ao outro que o que falta pra ser feliz é “Se permitir”... tá bom. Vamos lá de sua cara ao destino e saia ileso de suas verdades. Seriamos capazes?
Claro, que com o tempo as feridas se fecham, as verdades se calam o sentimento de derrota toma um ar de felicidade, porque querendo ou não o tempo passa, e com ele vem o cansaço de lutar contra os moinhos de vento, daí aquele sorriso bobo toma conta de nossas faces, a sensação de que o melhor foi feito toma conta das nossas mentes, perdoando assim os pecados cometidos pela ingenuidade alivia-se o coração.
Não há quem ao se permitir, não tenha se deixado um dia sequer a conviver com deliciosas mentiras, afinal são elas que sustentam a alma, que sempre teima em ter esperanças, e só assim descasamos da realidade. Tudo passa e a tudo se acostuma, e posso garantir que todos nós não resistimos viver uma doce ilusão a amargas realidades.
Tudo se torna um mero devaneio... Vivemos mentiras como se fossem verdades, não aceitamos verdades pelo simples fato que queríamos que fossem mentiras. Por fim ilusão e a realidade perdem o sentido, de tanto um pólo desta história estar presente no outro, seria isto loucura? Não... Apenas equilíbrio porque na verdade, só a verdade cansa!

segunda-feira, 28 de julho de 2008

Maratona padronizada


O ser humano tem se tornado um ser cada vez mais anormal, depois que começou a fabricar produtos em massa, criou a tendência de querer ser fruto de si mesmo, ou seja, muito padronizado, distante e avesso de tudo que o possa se diferenciar um dos outros. Viver na era do instantâneo torna tudo muito pedante, parece que absolutamente tudo pode ser consumível, queremos tudo de forma rápida, barata e prática, que estamos perdendo o que de melhor temos, os sentimentos, estamos ficando apenas com as impressões.
Refletir analisar os fatos tornou-se coisa de filósofo ou mesmo de maluco, acreditamos piamente que todas as grandes idéias já foram lançadas, oras por que não podemos inventar a roda para nós mesmos? Muitos dizem: “Estamos no ápice”; que ápice? Não conhecemos nem a nós mesmos... Fugimos de nós o tempo todo em nome de uma carreira bem sucedida, de uma vida esplendorosa, prova disso são os consultórios cheios de gente que achou que pudesse se esconder para sempre de si mesmo.
Há quanto tempo não nos encaramos como realmente somos? Olhamos no espelho apenas enxergando o que queríamos ser, só sabemos que falta o queixo da Sandra Bullock, os olhos da Meg Ryan, a boca da Angelina Jolie, os cabelos da Malu Mader ... Engraçado, não aceitamos, mas a ditadura é: “não seja você mesmo”; na mesma linha de raciocínio fazemos com as nossas vidas, famílias, amigos, empregos, objetos; olhamos apenas o que não temos, o que não significa que nos falte, mas criamos uma dependência tão grande com o padronizado que por fim temos a necessidade de coisas que se tivéssemos assim de uma hora para outra nem saberíamos o que fazer, nós esquecemos que tudo é resultado de um processo de construção.
O que vale hoje é a sensação, tudo que possa ficar para posteridade, não nos importamos com as nossas memórias, mas com o que podemos curtir a cada momento, acumulamos boas sensações achando que isso seria viver; não há tempo para se perder, estamos nos tornando enjoativos, hoje as biografias não passam de uma bela história, sabe Deus quanto custou para cada ser humano relatado viver todos aqueles dias; no fim das contas, não conhecemos nossos amigos porque não temos tempo de conhecer a fundo cada um deles; não escutamos um cd inteiro, o que vale é a canção que está em voga, temos que saber a letra da música mais pedida; não aproveitamos uma festa sem que já tenhamos em mente outra para ficar planejando; não aprendemos mais, apenas aperfeiçoamos o que já sabemos; o que ninguém percebe é que não estamos vivendo, estamos perdendo tempo querendo correr contra o relógio.

sábado, 26 de julho de 2008

No mundo do meu espelho


As verdades do meu espelho descobriram enfim, que são efêmeras, no mesmo instante que as enxergo elas se desprende de mim como filhos que se vão e ganham o mundo. Penso e as faço como meu bem quero, as disponho por meros momentos de consciência.
Verdades que cabem apenas no meu mundo, coisas que eu sei, por mais que não quisesse, que não passam de minha eterna solidão. Ganho o mundo, venço o medo de estar só, com isso, nestes segundos nada mais importa, apenas o meu eu.
A verdade chega, toda de uma vez, como na dor de uma queda, percebo que o meu eu não é assim, tão meu quanto eu pensava. Não sou nada, no mesmo tempo, sou tudo, sou mundo, enfim, às vezes solidão.
Reluto, busco, comigo e com mundo, para no fim das contas entender que faço meus os pensamentos alheios, dos outros verdades não ditas, faço de mim a realidade de ser outro e busco no mundo fragmentos de mim.

domingo, 25 de maio de 2008

Vontades e domínio


Quantas vezes no auge de nosso autoritarismo egocêntrico, motivados por uma vontade qualquer de fazer algo gritamos: A vida é minha! Ai vem à pergunta, será que é mesmo? Se fosse nossa mesmo deveríamos fazer da vida o que bem quiséssemos. Mas deve-se questionar muito bem a si próprio antes de se afirmar que somos donos de alguma coisa: Depende da própria vontade para que as coisas se realizem?
Sem querer mudar a doce ignorância de quem realmente acredita ser dono de seu próprio destino, mas façamos aqui uma analogia... A vida às vezes, pra não dizer sempre, parece um trem desgovernado, aonde nós somos hora o maquinista desesperado tentando ajustar máquina na direção esperada e horas, somos os passageiros que mal tomam consciência do que está acontecendo.
Sem pessimismos baratos, mas se pararmos pra pensar o que podemos afirmar como sendo nosso mesmo são as nossas metas, nossos objetivos, porque estes sim dependem de nossas vontades, aliás, a vontade também não é consciente, mas o que fazemos com ela é do nosso domínio. Nem sempre querer é poder, mas sempre querer é primeiro passo de fazer por onde conquistar, realizar algo.
A vontade nunca será fator determinante para que as coisas aconteçam, porque ela é apenas o começo de uma trajetória, não confundir vontade com domínio já seria pra todos nós um adianto de vida. Se pensássemos sempre assim canalizaríamos nossas energias e força para o que realmente interessa: o fazer. Então antes de dizer que algo é nosso, seja um sonho, uma meta, um destino, seja lá o que for façamos o que seria mais racional: lutar para que a nossa vontade trabalhe a nosso favor.

quarta-feira, 21 de maio de 2008

Ser Feliz


Faz tempo que desisti de me apegar a grandes feitos, depois de muitos tombos percebi que são pequenas coisas na vida que nos fazem ter ânimo para sobreviver... Uma chuva que está prestes a chegar, um novo dia que não demora a amanhecer.
Vagar por este mundo pode ser visto como uma sentença ou uma dádiva. Buscarmos um sentido para acordar novamente é obrigação de todos, mas também pode ser um prazer. Podemos andar sozinhos ou deixar que os outros nos acompanhe, porém temos que ser conscientes de que ao final que o que tanto procuramos é muito próprio.
O objetivo de tudo o que buscamos é muito singular, porque na verdade o que realmente queremos não pode ser descoberto, por não estar em ninguém e nem em lugar algum, podemos perceber que o que passamos a vida toda procurando na verdade estávamos construindo.
Nossas escolhas, nossa maneira de nos colocar diante do mundo, entre tantas coisas, faz com que tomemos rumos em nossas vidas, portanto cada um só pode fazer o seu. Por mais que outras pessoas possam ter vivido situações parecidas com as nossas, não serão iguais os caminhos, porque cada um faz o seu a partir do que sente, vive, pensa, deseja e vê.
É nessa construção do que sou, do que quero, do que posso é que se acha o grande sentindo de tudo: devo ser o que quero ou o que esperam de mim?
De tudo que vivemos podemos escolher, enfrentamos tudo como dádiva e aprendizado ou sentença e punição. E o que fica de tudo é a grande decisão: assumo os riscos e os erros e sou feliz ou crio metas e moldes para depois que cumprir o plano ser feliz?
Aviso aos navegantes... Ser feliz é pra mim deve ser com o que eu tenho hoje, é a partir de agora!

segunda-feira, 12 de maio de 2008

Oração


Que meu desejo seja de acordo e também do tamanho de minhas possibilidades
Que minhas possibilidades me satisfaçam e que isso me dê animo para buscar as minhas metas.
Que minhas metas sejam equivalentes a capacidades que eu tenho de lutar.
Que minhas lutas não sejam travadas comigo mesma, nem sejam em vão assim como os meus sonhos.
Que meus sonhos sejam modestos o bastante a ponto de se tornarem reais.
Que minhas realizações me façam enxergar o que eu sou, quem eu sou, que do meu pouco eu faça tesouro.
Que eu faça o melhor com as possibilidades que me aparecerem e que eu tenha sempre a consciência de que me é ofertado muito mais do que preciso.
Que a minha satisfação esteja no presente, que me traga paz e alegria e que isto tudo me siga pela vida.

sexta-feira, 9 de maio de 2008

A Busca


O correr das horas, o passar do tempo, me olho no espelho e já não me enxergo mais, o que vejo é uma imagem cansada e fria de alguém que há muito tempo não visito, uma foto que insiste em se mexer na moldura.
Com os anos vejo que me perdi de mim mesma, já não consigo distinguir o que é passado, vitória, alegria e frustração, me pergunto que planos fiz, o que realmente eu consegui e a que distancia estou de mim.
Na busca de me entender acabo perdoando os meus pecados, esvaziando minha alma para que me absolva a consciência de culpas que talvez nem eu mesma saiba explicar qual seria a minha parte do erro.
Perguntas, reflexões e devaneios me cansam de mim mesma e me afasta de tudo o que eu ainda realmente preciso: minha sanidade, minha fé e minha vontade de lutar pelo que ainda desconheço.
Assim, compreendo que o relógio não para, os anos me pesa e soluções me apressam que não posso ficar presa a um momento porque a cada manhã existe um desafio, talvez seja o mesmo que me persiga por todo este tempo.
Minha luta já não é mais a de vencer, mas a de conseguir cair em pé, num tombo que já se faz inevitável. Nessa dança aonde a música já parou de tocar faz tempo, desfaço meu choro e me consolo com um sorriso porque o amanhã já está próximo.
Presente, passado e futuro se confundem com a imagem que eu mesma criei pra mim; esperança e solidão já não têm o mesmo sentido de outrora, o que antes eu tinha medo, hoje me consola.
Mesmo sendo uma caminhada sem rumo, sigo adiante, talvez por não ter opções, assim me desfaço a cada momento do que sou para trilhar por um caminho que não é meu, que me faz sentir perdida a todo o momento e para um objetivo no qual desconheço.

quarta-feira, 7 de maio de 2008

Enganos e Erros


É fato que existe uma diferença tamanha entre errar e se enganar, todos deveriam ter em mente o significado do que é o erro e o engano. Errar pode sim, ser sem querer, mas sempre prejudicará alguém. O fato de se enganar não... Podemos nos enganar sem que com isso prejudiquemos uns aos outros.Ao nos enganarmos nos fazemos vitimas e algozes de nossos próprios sonhos, nossa crença é tão grande, que não conseguimos enxergar o que pra todos é tão óbvio: que o nosso desejo não passa de ilusão.

O que intriga é o fato de que os erros são sempre aceitos e perdoados, os enganos não, são julgados e minuciosamente analisados, de forma nenhuma aceitos, como se a pessoa que se engana deva receber uma punição por ter se iludido.

O mundo adora dizer que “errar é o humano”, talvez seja uma boa justificativa para perdoar os erros alheios, mas os enganos, não fazem parte das facetas do ser humano? Será possível que possamos passar pela vida sem nunca nos enganar?

Errar vem do egoísmo, se enganar vem de sonhar demais, todas as duas situações, apesar de totalmente diferentes, podem ser explicadas pelo fato de que todos têm anseios, sonhos, desejos, vontades, vaidades, enfim, vem do fato maior: estamos vivos e viver é um luta diária pelo aquilo que nos satisfaz.

terça-feira, 6 de maio de 2008

Força




Com a crença de que seria forte tendo sempre o que falar nas horas de tristeza, ter sempre uma atitude ou solução diante de um momento difícil que um dia me descobri muda e apática diante de um momento de incerteza. O desespero me alcançou e do pouco ou do muito que eu tinha nada ficou, então, deixei pelo caminho sonhos e metas que não entendia, mas na verdade eu os carregava como fardo.
Neste momento em que as palavras se calam, os pensamentos se perdem que me descobri realmente fiel a mim mesma, assim me vi forte porque percebi que é em meus tombos que me fortaleço, num instante em que o chão sai dos meus pés é que realmente me vejo: sem máscaras, sem artifícios, sem proteção, apenas alguém que por muito tempo se cala dentro de mim.
Morro em mim para poder renascer melhor, me fecho em meus pensamentos para poder ter sonhos maiores, enxergo e vou ao fim de tudo para ter a possibilidade de um recomeço. E foi largando tudo para trás que vi um novo horizonte em meus olhos.
O que antes era viável, concreto e maduro vejo agora como surreal, desfaço do meu caminho ingênuo para um caminho novo, talvez ainda errôneo, mas errar, acertar, perder e mudar faz parte da minha trajetória. Apenas agora posso entender que o que vivo me fortalece que deixar pelo caminho o que tanto me fará falta me faz crescer.
Não me perdi apenas as circunstâncias me fizeram enxergar por ângulos antes não explorados, com a tristeza ergue-se um novo mundo diante de mim, me sinto forte porque de tudo não me afastei de mim mesma e isso é agora o que me vale para me sentir forte.

segunda-feira, 5 de maio de 2008

A Mania de Ser Feliz


Sinceramente, eu já nem me lembro quando, mas um dia eu encasquetei que não poderia ser feliz, sensação de impotência, incapacidade de tudo, medo de que o que se pensava naquele momento se tornasse realidade.
E enfim a infelicidade veio, digo infelicidade porque a tristeza eu nunca permiti que chegasse perto de mim, podia sim estar infeliz, mas triste jamais, em certos casos é melhor a ausência de algo do que a presença de outro.
A vida desse jeito fica sem expectativa, as cores perdem seu tom, o som perde seu cheiro, o aroma perde sua beleza, enxergar já não significa nada, anda-se por aí sem o menor rumo e a todo instante pedindo esmolas de atenção.
E é como o amanhecer que esse medo se vai, na verdade eu realmente não posso ser feliz, somente agora eu posso perceber isso, eu tenho que ser feliz, felicidade é meu maior desaforo, maior realização que oferto a mim mesma, já não é mais só uma vontade, é uma doce mania de tentar, tentar, sem desistir nunca, afinal é nessa busca que se descobre o que é felicidade.

domingo, 4 de maio de 2008

O que sobrou do céu


Nossa alma voa com os sonhos, alçamos lugares nunca visitados, desvendamos facetas em nós mesmos que nunca pudemos perceber na normalidade, fazemos de pequenas conquistas grandes refúgios de realizações, tudo se faz tão maravilhoso que nos tornamos capazes de entender o outro.
Num sonho não realizado, nos frustramos, nos culpamos, nos punimos, ficam tantos “porquês” e “como” vagando em nossa solidão que nem damos conta de que o tempo de sonho foi enriquecedor.
A capacidade de desejar, nos torna: grandes, capazes, felizes; mesmo que nada se realize naquele momento de desejo nos sentimos completos pela simples possibilidade do sonho um dia vir a acontecer. Essa sensação inebriante nos enriquece a alma, muitos são os que não entendem essa sensação por não permitir se enganar.
Quando tudo dá errado nos condenamos ao “nunca mais”, fugimos tanto do que nos aparenta ilusão que não percebemos que sem sonhos não somos ninguém, que o ser humano querendo ou não necessita de vôos.
Sim, sonhar por muitas vezes é um risco, mas mesmo perdendo ou até mesmo ganhando, realizando ou não o que foi desejado, faz muito bem viver e querer ir além do que o cotidiano pode nos oferecer, porque assim não estagnamos na monotonia que é uma armadilha chamada rotina.
Sonhar nos faz enxergar por outras óticas, nos faz pensar no como seria bom ter/ser o que não somos e nem temos, porém devemos ser sempre vigilantes ao fato de que sonhar e realizar são coisas completamente diferentes, palavras que se completam, porém antagônicas em si mesmas.
Assim, descobrimos que a rotina nos faz travar uma luta conta nós mesmos, lutamos para sobreviver, mas queremos muito mais que isso. Brigamos com a nossa necessidade de produzir, mas desejamos sempre um tempo a mais para pensar.
Além de tudo é preciso sempre esvaziar a alma da dor, da tristeza, da frustração, do desejo... Enfim, saber buscar sempre, recomeçar de novo; por fim o segredo seria que num sonho frustrado há de se ter sempre a esperança de que este foi apenas um rascunho e que no próximo sonho poderemos ir mais além.

sábado, 26 de abril de 2008

Caminhos

questão 
Nesses        
enganos bestas que a gente comete ao passar dos anos um deles foi acreditar que a vida poderia ser tomada como fórmula. Que o princípio de tudo influenciaria a tal ponto que poderíamos assim, de certa forma, prever o fim das coisas tomando como base para tal previsão o modo como tudo começou.
Digo isso com base de que acreditava que se fizesse tudo certo, com toda a lógica tudo ao final daria realmente certo. Pena que vivemos sempre a ponto de enxergar que fazer tudo certo não influenciará necessariamente a ponto de decidir que tudo acontecerá da melhor forma prevista.
Nesse momento, sempre cometemos o ledo engano de fazer tudo errado para que tudo ao final dê certo, o que geralmente não acontece também. Assim uma hora, enfim, percebemos que o “tudo” e o “dar certo” são apenas questão de opinião.
Sim, são pontos de vista, afinal, por mais que os sonhos, desejos, projetos não se realizem continuamos, em sua maioria, vivos e pior, tentando ainda realizar nossas aspirações, esperando sempre fazer o que achamos ser o sucesso das coisas. O tempo passa e entendemos que na vida só existem caminhos porque em uma decisão pode sim haver conseqüências, mas não significa que tudo esteja decidido...