
O ser humano tem se tornado um ser cada vez mais anormal, depois que começou a fabricar produtos em massa, criou a tendência de querer ser fruto de si mesmo, ou seja, muito padronizado, distante e avesso de tudo que o possa se diferenciar um dos outros. Viver na era do instantâneo torna tudo muito pedante, parece que absolutamente tudo pode ser consumível, queremos tudo de forma rápida, barata e prática, que estamos perdendo o que de melhor temos, os sentimentos, estamos ficando apenas com as impressões.
Refletir analisar os fatos tornou-se coisa de filósofo ou mesmo de maluco, acreditamos piamente que todas as grandes idéias já foram lançadas, oras por que não podemos inventar a roda para nós mesmos? Muitos dizem: “Estamos no ápice”; que ápice? Não conhecemos nem a nós mesmos... Fugimos de nós o tempo todo em nome de uma carreira bem sucedida, de uma vida esplendorosa, prova disso são os consultórios cheios de gente que achou que pudesse se esconder para sempre de si mesmo.
Há quanto tempo não nos encaramos como realmente somos? Olhamos no espelho apenas enxergando o que queríamos ser, só sabemos que falta o queixo da Sandra Bullock, os olhos da Meg Ryan, a boca da Angelina Jolie, os cabelos da Malu Mader ... Engraçado, não aceitamos, mas a ditadura é: “não seja você mesmo”; na mesma linha de raciocínio fazemos com as nossas vidas, famílias, amigos, empregos, objetos; olhamos apenas o que não temos, o que não significa que nos falte, mas criamos uma dependência tão grande com o padronizado que por fim temos a necessidade de coisas que se tivéssemos assim de uma hora para outra nem saberíamos o que fazer, nós esquecemos que tudo é resultado de um processo de construção.
O que vale hoje é a sensação, tudo que possa ficar para posteridade, não nos importamos com as nossas memórias, mas com o que podemos curtir a cada momento, acumulamos boas sensações achando que isso seria viver; não há tempo para se perder, estamos nos tornando enjoativos, hoje as biografias não passam de uma bela história, sabe Deus quanto custou para cada ser humano relatado viver todos aqueles dias; no fim das contas, não conhecemos nossos amigos porque não temos tempo de conhecer a fundo cada um deles; não escutamos um cd inteiro, o que vale é a canção que está em voga, temos que saber a letra da música mais pedida; não aproveitamos uma festa sem que já tenhamos em mente outra para ficar planejando; não aprendemos mais, apenas aperfeiçoamos o que já sabemos; o que ninguém percebe é que não estamos vivendo, estamos perdendo tempo querendo correr contra o relógio.