sexta-feira, 9 de maio de 2008

A Busca


O correr das horas, o passar do tempo, me olho no espelho e já não me enxergo mais, o que vejo é uma imagem cansada e fria de alguém que há muito tempo não visito, uma foto que insiste em se mexer na moldura.
Com os anos vejo que me perdi de mim mesma, já não consigo distinguir o que é passado, vitória, alegria e frustração, me pergunto que planos fiz, o que realmente eu consegui e a que distancia estou de mim.
Na busca de me entender acabo perdoando os meus pecados, esvaziando minha alma para que me absolva a consciência de culpas que talvez nem eu mesma saiba explicar qual seria a minha parte do erro.
Perguntas, reflexões e devaneios me cansam de mim mesma e me afasta de tudo o que eu ainda realmente preciso: minha sanidade, minha fé e minha vontade de lutar pelo que ainda desconheço.
Assim, compreendo que o relógio não para, os anos me pesa e soluções me apressam que não posso ficar presa a um momento porque a cada manhã existe um desafio, talvez seja o mesmo que me persiga por todo este tempo.
Minha luta já não é mais a de vencer, mas a de conseguir cair em pé, num tombo que já se faz inevitável. Nessa dança aonde a música já parou de tocar faz tempo, desfaço meu choro e me consolo com um sorriso porque o amanhã já está próximo.
Presente, passado e futuro se confundem com a imagem que eu mesma criei pra mim; esperança e solidão já não têm o mesmo sentido de outrora, o que antes eu tinha medo, hoje me consola.
Mesmo sendo uma caminhada sem rumo, sigo adiante, talvez por não ter opções, assim me desfaço a cada momento do que sou para trilhar por um caminho que não é meu, que me faz sentir perdida a todo o momento e para um objetivo no qual desconheço.

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