sábado, 23 de junho de 2018

No Mundo 'In'



   
É muito difícil compreender o transtorno de personalidade borderline, embora seus portadores sejam tão caricatos. O caminho até o diagnóstico é muito sofrido e pior, quando descoberto o transtorno, vem o medo do fato de não haver cura, o que daí pode se tornar uma frustração. E é nesse momento que o próprio paciente e as pessoas que os rodeiam intimamente precisam parar e questionar (leia-se QUESTIONAR que é buscar entender e não criticar) os comportamentos, as figuras e os papéis que cada um contribui para essa história, o que já adianto: não existem culpados, existem contribuições. 
       Sem compromissos com dados e estudos, mas com total conhecimento empírico da situação, horas vou falar na primeira pessoa, horas vou falar na terceira pessoa, quero apenas me fazer entender como sou, isso não significa que quero aceitação, explicando a vida do borderline tal qual ele se vê, tal qual me vejo, tal qual vivi até aqui, pois depois do diagnóstico muitas coisas começam a ter seu real significado.
Esses escritos são apenas as impressões de uma borderline mediante ao desconhecido, o mundo real. Uma tentativa de tornar mais acessível o que é o transtorno de borderline, seja através de analogias ou relatos, uma realidade paralela onde as emoções falam mais alto que qualquer circunstância. Sim, vivemos de emoções, a vida nos proporciona sensações muito mais intensas, antes de conscientização e de tratamento adequado, que qualquer condição de bom senso possa entender, seja de maneira positiva ou não, marcamos e somos marcados em todos os tipos de relações.
    Não tenho aspiração nenhuma com esse trabalho, que mais seria um desabafo, porque não tenho soluções e não pretendo criar um manual do bem viver, porque se tratando de qualquer transtorno de ordem mental, as características gerais se convergem, mas na prática divergem, cada portador carrega além do transtorno, toda subjetividade que os diferencia dos outros, mesmo com aspectos semelhantes. Ter o transtorno não tem correlação a um roteiro único de ação e reação. Ser diagnosticado com esse transtorno não é receber a sentença de morte ou de frustração, é uma pausa de uma trajetória de muita pressa e sem nenhuma direção, a uma incessante busca de entendimento do ser, um mergulho dentro do seu grande desconhecido: a si mesmo.
É importante compreender que ao falar em Transtorno de personalidade Borderline, estamos falando de indivíduos com emoções intensas e reativas, reflexo não apenas a uma situação em especifico de vivencia no presente, mas de toda uma história escrita no inconsciente no alfabeto bilíngue de bom e ruim, num roteiro caracterizado pelo abandono, abuso, negligencia que alimenta uma realidade de vergonha, medo e o vazio. É através desse espectro que a personalidade borderline se forma, levando o indivíduo sempre a uma leitura “errônea” socialmente dizendo, de mundo, caracterizada por atitudes inesperadas, insuportáveis, incríveis, instáveis, intensas, inesquecíveis ... bem-vindo ao mundo ‘IN’.

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