domingo, 14 de outubro de 2018

A beleza dos contrastes (texto resgatado é de 2014)










    Até  os dias chuvosos tem a sua beleza, como é encantador ver o movimento das muitas formas, cores e molduras das sombrinhas que trazem para um dia cinzento um radiante degradê de cores e efeitos.
    Também nada mais belo que uma manhã cinza e uma cabeça cheia de ideias e um coração transbordando de coragem de fazer melhor que ontem,  de deixar para trás antigos pesos e recomeçar tão leve e fugaz como uma gotícula de sereno, que sabe ser bela apenas junto a tantas outras, formando uma uniformidade tão única,  que só os loucos compreenderão.
    Tanta generosidade num simples  intuito:  se fazer de vida para o desfile de cores, formas e imagens de objetos que só  são significantes como as sombrinhas juntas, porém  conseguem traduzir tanta subjetividade.
    Quantos de nós não nos escondemos debaixo de  urubus, círculos de xadrez tão chinfrins, que é como não quiséssemos viver? Outros já fazem deste pequeno objeto uma janela para seu próprio céu,  carregando sobre si uma imagem, foto que reflete sonhos tão singelos que só o coração humano poderiam esconder. Não podemos esquecer os que se expressam de forma simples,  mas eficaz: em cores, muitas cores, cores diversas que trazem tantas simbologias e analogias podendo esconder na beleza de um vermelho uma dor, na sutileza de um azul um eterno amor ou até mesmo no radiante amarelo a vontade de ousar.
    Dias cinzas são sem graça apenas aos cegos de coração,  aos que tem pressa, aos egoístas que não conseguem admirar a beleza de Deus à todo instante, se fazendo presente na pluralidade de anseios   chamada humanidade

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