domingo, 14 de outubro de 2018

Como morro de amor para tentar reviver?









  Eu não estou me despedindo de você,  apenas estou tirando sua influência tão presente na minha vida. Nada e muito menos alguém vai me tirar o que de precioso você sem querer me ensinou. Isso seria uma carta de amor? Não, por hora colocando apenas as coisas em seu devido lugar.
   O amor é um dos sentimentos mais complexos e por isso contraditório, ao mesmo tempo que mergulhamos nele,  também fugimos dele; para tal sentimento não existe antídoto. O mínimo que podemos fazer é estar atentos porque a condição humana aprisiona tudo que ama, como se fosse uma coleção, não percebendo que tal atitude se distancia do carinho, sendo na realidade um castigo.
   E é exatamente por isso que estou aqui, não dizendo adeus ou te libertando, mas te colocando num lugar mais fácil para ambas as partes. Não posso dizer que não te amo, porque sigo amando, mas de maneira completamente diferente que há tempos atrás.
   É quando o silêncio chega que mais ouço a sua voz. Me perco olhando para o nada, absorta sem pequenas lembranças, que no fundo demonstram o quanto esse lugar que você habita em mim é vazio. Por que na verdade eu estou me apegando de um pouco que foi bom, e é assim que me afundo  em fantasias de muitas facetas do que nunca existiu, o se.
   Alimento esse saudosismo para poder acreditar que tudo valeu a pena, numa necessidade de ver coisas boas e me auto afirmar numa chama que se apagou, embora eu não tenha a certeza de ela realmente existiu um dia.
   Seu cheiro ainda está em mim, porém eu sei é sinto que não há nada meu em você, você se foi sem carregar nada, talvez isso é que realmente me doa. Não me culpo e nem te culpo, mas é conflituoso o modo de entender  até onde vai o querer e o poder.
   Essa vontade, esse apego, esse desejo são sensações e nada mais  é que  momentos de ludicidade adulta. Afinal, brincamos o tempo todo com os nossos reais sentimentos. Fantasiamos para fugir do tédio. Jamais direi que o que aconteceu não tenha seu devido valor, reconheço que foi ilusão,  no entanto,  o que me restou foi o otimismo, afinal foi quase lá.
   Por fim, te digo com ternura: eu não perdi você,  eu ganhei novos significados, porque deixei de lado o orgulho, ganhei um propósito deixando de lado o hábito da ênfase em minha vida do pronome pessoal você, para descobrir que o mundo vai muito além dele. Meu muito obrigada por isso.


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