Eu sempre tive um nó na garganta, sempre tive uma lágrima suspensa, mas também sempre reprimi qualquer negatividade, sempre me coloquei como forte e solução. Talvez um antídoto para a solidão que vive em mim, que me incomoda e que me perturba.
Entendam a minha solidão é como uma inquilino no meu corpo, um ser estranho que as vezes fala mais alto que eu, um ser que tenho que combater todos os dias para que eu possa sobreviver e ser eu mesma.
As vezes me canso de brigar com a minha inquilina e me fazer entender aos outros, melhor sorrir mediante a qualquer coisa que aconteça, pedir desculpas, por mim e pela inquilina, afinal na realidade eu que sou a diferente.
Meus dias, minhas horas são divididas com esse ser, e isso cansa, não tem como eu dar a ninguém isso que existe dentro de mim. Com essa companhia não é difícil mergulhar no meu isolamento , afinal ela está ali, me cansa me fazer entender, sinto que horas sou peso, horas sou cruz, então me deixo a cargo dessa vampira emocional.
De todas as possibilidades quando ela fala mais alto, a menos exaustiva é viver à sombra de um suposto passado feliz e me fazer superficial. Porque aprendi na carne e aos gritos dessa inquilina que acreditar faz mal, que qualquer esperança já é feita pra ser quebrada , e ela vai sempre estar ali para escarnecer das minhas derrotas. Passei a ser descrente, qualquer gota de aceitação é delírio e eu sei que é mais que o suficiente para aliviar aquilo que me transborda.

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